"Nossa Linda Juventude..."

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segunda-feira, 1 de março de 2010

Diversidade e Sexualidades

Diversidade sexual, gênero e juventude: desafio de nossa prática pastoral 
“Temos o direito de ser iguais sempre que a desigualdade nos exclui e temos o direito de sermos diferente sempre que a igualdade nos descaracteriza” 





Nosso discurso, mas também nossa prática, fruto da acumulação de anos de experiência pastoral com jovens, aponta para a intenção da formação integral. Isto é, aquele/a jovem, como muitos de nós, que chegam aos grupos somos pessoas integradas por dimensões que revelam nossa completude e complexidade como humanos. 

E nós, em nossos grupos, seguimos orgulhosos/as de compreender o/a jovem como sujeito constituído por dimensão teológica-teologal, psico-afetiva, técnica, política e sócio-cultural, compondo uma unidade. É um sofisticado discurso antropológico que nossas atuação pastoral domina bem. 

O curioso é que, apesar desta sofisticada compreensão antropológica da condição humana, o/a jovem que chega em nossos grupos muitas vezes não é compreendido como um ser sexuado. Isto é, a dimensão da sexualidade, de modo especial com as questões que dizem respeito às relações de gênero e diversidade sexual, não estão tocando nossa prática pastoral. A sexualidade como caminho para organizar a conduta e a existência do sujeito, definindo os valores e as relações afetivas-sexuais de modo integrado e integrador, inexistem no campo de nossos interesses, práticas e preocupações pastorais. 


vamos discutir alguns conceitos para afinar nossa conversa:

 Identidade de Gênero: podem ser compreendidas como o modo de as pessoas se sentirem e se manifestarem; uma expressão da pessoa (masculina ou feminina), independente do seu sexo. A identidade de gênero inclui o senso pessoal do corpo e outras expressões de gênero, inclusive vestimenta, modo de falar e se manifestar. 

· Orientação sexual: o nosso desejo de pessoas se orienta na direção da outra pessoa, que pode ser homem ou mulher. A essa orientação do desejo chamamos orientação sexual. Refere-se à capacidade de cada pessoa de ter uma profunda atração emocional, afetiva ou sexual por outro indivíduo. 

· Sexualidade: De modo simplificado, podemos entender como uma energia da expressão humana. Todo nosso modo de estar no mundo está marcado pela nossa sexualidade. Em termos mais teológicos, a sexualidade é força criadora na pessoa. 


Nesse mês, no processo de preparação do III Congresso Latino-Americano e de Revitalização da Pastoral da Juventude, estamos apurando os nossos olhares para a diversidade juvenil em nosso continente. Também em relação à sexualidade, temos um mosaico de rostos juvenis que ultrapassam as lentes monocromáticas com as quais estamos acostumados (ou nos acostumaram) a olhar o mundo. A questão da homossexualidade, por exemplo, pouco surge em nossos grupos porque, no limite, não sabemos olhá-la fora da lente da heteronormatividade que organiza as relações em nossa sociedade contemporânea. Ainda, as relações de poder que envolve as questões de gênero, de modo especial o papel e lugar das mulheres na sociedade e nas Igrejas, muitas vezes caem na invisibilidade e, assim, contribuímos para perpetuar mecanismos de exclusão e violência. 

O avanço no entendimento de que o/a jovem elabora a sua identidade a partir de todos os aspectos que compõem a sua vida (afetivo, sexual, transcendente, político, social etc), como o feito pelas Pastorais da Juventude na América Latina, precisa estar combinado com um olhar novo, desnudado e atento para acolher a diversidade sexual. 


Questões para debate: 

- De que modo em nossos grupos estamos considerando as questões da sexualidade juvenil? 

- E quanto às relações de gênero? 

- Como nosso acompanhamento ao processo de educação na fé contempla essa dimensão da vida humana? O que mais é necessário? 

- Como observamos a vivência da sexualidade juvenil, enquanto dimensão integradora da experiência humana? 


Fonte:www.pj.org.br


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